Na estrada vou passando.
Casa por casa, amor por amor.
E vou vendo meu coração da janela.
Na velocidade do ônibus os amores entram e saem da minha vida.
É mais um dia, é mais uma viagem.
Cada aeroporto é um novo romance.
Confundindo os nomes como as cores das casas, que rápidas passam pelos meus olhos.
Não estamos acostumados com a poesia.
O nosso dia a dia é feito de prosa por computador.
Aquele servidor que está sempre ocupado é o do amor.
E o meu email não fala de você.
Faço uma impressão digital e o que consigo visualizar é minha consciência que está fora do ar.
Na pragmática da tecnologia eu não sei amar.
São tantas desculpas que me escondo em uma tela cibernética.
Digo um oi, e logo estou saindo.
Digo um bom dia e saio do convencional.
A minha imagem refletida é a única coisa real nesse mundo virtual.
Uma crise para se alastrar e mais dinheiros para se comprar.
Tudo é virtual.
Mais pessoas para matar e um dólar para eu ganhar.
Sigo meu caminho dentro do meu infinito que me remete as minhas limitações.
Não quero mais que um olhar.
Não quero mais que uma paz.
DESCULPE ERRO DE PROGRAMA!!!!!
Minha bateria vai ficando fraca.
A energia. O mundo consumio.
Vou cair no piloto automático.
E deixar o vento me levar.
Ser mais um nessa inércia coletiva.
E enfiar guela abaixo os enlatados que me vendem na farmácia.
E as drogas? Compro somente na drogaria.
Boa noite, bem vindo a realidade.
Auíri Tiago